Metas que o cliente entende: do faturamento desejado ao orçamento de mídia
Comece pela receita que o cliente quer e faça a conta de trás para frente: ticket médio, conversão e custo por visita mostram a verba e o ROAS necessários.

Sumário
A meta que o cliente entende é a que ele mesmo diria: "quero faturar R$ 120 mil por mês com a loja on-line". O trabalho da agência é transformar essa frase em números de mídia, fazendo a conta de trás para frente: receita, pedidos, visitas e, por fim, verba. Quando a meta nasce assim, o cliente consegue conferir cada passo e sabe exatamente o que precisa ser verdade para ela ser batida.
Por que a meta tem que começar pela receita
Muitas metas de mídia nascem ao contrário. O cliente diz quanto pode investir, a agência define um ROAS ou um CPA "bom" e torce para a receita aparecer. O problema é que o cliente não pensa em ROAS. Ele pensa em faturamento, em caixa e em quantas vendas a equipe comercial consegue atender.
Quando a meta começa pela receita, a conversa muda. Em vez de discutir se um ROAS de 3 é bom, vocês discutem se 400 pedidos no mês são possíveis com o site, o estoque e a verba que existem. Cada número da cadeia vira uma pergunta concreta, e cada pergunta tem um dono.
Isso também protege a agência. Se a meta de receita depende de uma taxa de conversão do site que a agência não controla, isso fica escrito desde o primeiro dia. No mês em que a conversão cair, a explicação já está na própria conta da meta.
Faça a conta de trás para frente
A conta tem quatro passos. Veja um exemplo hipotético, com números inventados só para ilustrar, de uma loja on-line que quer faturar R$ 120.000 por mês com mídia paga:
- 1.Receita desejada: R$ 120.000.
- 2.Pedidos necessários: receita dividida pelo ticket médio. Com ticket de R$ 300, são 120.000 ÷ 300 = 400 pedidos.
- 3.Visitas necessárias: pedidos divididos pela taxa de conversão do site. Com 2% das sessões virando pedido, são 400 ÷ 0,02 = 20.000 sessões vindas da mídia.
- 4.Verba necessária: sessões vezes o custo de cada sessão. Com R$ 1,50 por sessão, são 20.000 × 1,50 = R$ 30.000.
No fim, a receita dividida pela verba dá o ROAS (return on ad spend, retorno sobre o investimento em anúncios) que a meta exige: 120.000 ÷ 30.000 = 4,0. Esse é o ROAS que sai da conta, e não um número escolhido antes.
O custo por sessão é o investimento dividido pelas sessões que a mídia trouxe no período. Ele depende do custo por clique e de quantos cliques viram sessão de fato, então use o valor medido na própria conta.
Use as taxas do cliente, não as do mercado
Cada passo da conta usa uma taxa: ticket médio, conversão e custo por sessão. A tentação é usar uma média de mercado que alguém publicou. Não faça isso. A taxa de conversão de uma loja de móveis não tem nada a ver com a de uma loja de cosméticos, e mesmo duas lojas do mesmo setor podem ter taxas muito diferentes.
Use os últimos três a seis meses do próprio cliente, de preferência os meses parecidos com o que você está planejando. No GA4, a taxa de sessões com eventos principais é a porcentagem de sessões em que aconteceu um evento principal, como uma compra. Filtrada pelas sessões de mídia paga, ela é um bom ponto de partida para o passo 3. O ticket médio deve vir da plataforma da loja ou do CRM, que registram a venda de fato.
Se o cliente é novo e não tem histórico, diga isso. Faça a primeira meta como hipótese, com as taxas que você espera, e marque uma data para trocar as hipóteses pelas taxas medidas, em geral depois do primeiro mês completo.
Mostre o que acontece se uma taxa piorar
Uma meta com um número só esconde o risco. Mostre ao cliente como a verba muda quando uma das taxas muda. No mesmo exemplo hipotético:
Conversão menor
- Conversão do site
- 1,5%
- Sessões
- 26.667
- Verba necessária
- R$ 40.000
- ROAS necessário
- 3,0
Base
- Conversão do site
- 2,0%
- Sessões
- 20.000
- Verba necessária
- R$ 30.000
- ROAS necessário
- 4,0
Conversão maior
- Conversão do site
- 2,5%
- Sessões
- 16.000
- Verba necessária
- R$ 24.000
- ROAS necessário
- 5,0
| Cenário | Conversão do site | Sessões | Verba necessária | ROAS necessário |
|---|---|---|---|---|
| Conversão menor | 1,5% | 26.667 | R$ 40.000 | 3,0 |
| Base | 2,0% | 20.000 | R$ 30.000 | 4,0 |
| Conversão maior | 2,5% | 16.000 | R$ 24.000 | 5,0 |
As contas: 400 ÷ 0,015 ≈ 26.667 sessões e 26.667 × 1,50 ≈ R$ 40.000; 400 ÷ 0,025 = 16.000 sessões e 16.000 × 1,50 = R$ 24.000. Os ROAS são 120.000 ÷ 40.000 = 3,0 e 120.000 ÷ 24.000 = 5,0.
A tabela mostra algo que o cliente precisa ver: com uma conversão 0,5 ponto menor, a mesma receita custa R$ 10.000 a mais de mídia. Isso abre duas conversas úteis. A primeira é sobre melhorar o site, que pode valer mais que aumentar a verba. A segunda é sobre o que fazer se a verba disponível for de R$ 30.000 e a conversão cair: aceitar uma receita menor ou investir mais.
Para leads, a conta ganha um passo
Quando a venda acontece fora do site, como em serviços, imóveis ou vendas B2B, a cadeia passa pelo time comercial. Outro exemplo hipotético: uma empresa quer fechar 20 vendas por mês.
- 1.Vendas desejadas: 20.
- 2.Leads qualificados: se o comercial fecha 20% dos leads qualificados, são 20 ÷ 0,20 = 100.
- 3.Leads totais: se 40% dos leads passam na qualificação, são 100 ÷ 0,40 = 250.
- 4.Verba: com custo por lead de R$ 60, são 250 × 60 = R$ 15.000.
Aqui as taxas dos passos 2 e 3 vêm do CRM, e não da plataforma de anúncios. Por isso a meta de leads precisa ser combinada também com quem vende. Se o comercial não consegue atender 250 leads por mês, a meta não fecha, por mais barato que seja o lead.
Confira a verba com as previsões das plataformas
Depois de achar a verba pela conta, confira se ela é realista no leilão. No Google Ads, o Planejador de performance gera previsões mensais e trimestrais de desempenho, atualizadas todos os dias com base nos últimos 7 a 10 dias, e mostra como mudanças de orçamento podem afetar as principais métricas. Ele aceita campanhas de pesquisa, Shopping, Performance Max, Demand Gen e apps. Desde 9 de março de 2026, não planeja mais campanhas de display e de vídeo. Para entrar na previsão, uma campanha de pesquisa, Shopping ou Performance Max precisa, entre outros requisitos, ter pelo menos 1 conversão e não ter mudado a estratégia de lances nos últimos 10 dias.
Se a previsão mostrar que dobrar a verba não dobra as conversões, isso é normal: mais verba costuma comprar cliques mais caros. Leve essa informação para a conta da meta, com um custo por sessão maior nos cenários de verba alta.
Acompanhe o ritmo, não só o fechamento
Uma meta mensal só é útil se você souber no meio do mês se ela vai ser batida. Divida a meta pelos dias do mês, ou pelo peso de cada semana se o cliente tem sazonalidade dentro do mês, e compare o acumulado com o esperado até hoje. Se no dia 15 a receita está em 40% da meta, você tem duas semanas para agir, e não um relatório ruim para explicar.
No Relator Digital, você define alvos de investimento, ROAS, CPA, receita ou leads, e o produto compara o acumulado com o ritmo esperado, mostra onde o mês deve fechar e avisa quando a meta sai do ritmo.
Como aplicar
- 1.Pergunte ao cliente a receita ou o número de vendas que ele quer por mês. Anote na frase dele.
- 2.Puxe os últimos três a seis meses: ticket médio da loja ou do CRM, conversão das sessões de mídia no GA4 e custo por sessão ou por lead.
- 3.Faça a conta de trás para frente até chegar à verba e ao ROAS ou CPA necessário.
- 4.Monte uma tabela com pelo menos um cenário pior e um melhor, mudando a taxa mais incerta.
- 5.Confira a verba com o Planejador de performance do Google Ads ou com o histórico de escala da conta.
- 6.Combine a meta por escrito, com as taxas que ela pressupõe e quem responde por cada uma.
- 7.Acompanhe o ritmo semanalmente e refaça a conta quando uma taxa mudar de forma consistente.
Fontes
- Google Ads: sobre o Planejador de performance — previsões, tipos de campanha aceitos, fim do suporte a display e vídeo e requisitos (consultado em 28/10/2026).
- Google Analytics: dimensões e métricas do GA4 — definição da taxa de sessões com eventos principais (consultado em 28/10/2026).

Sobre o autor
João Vitor Moitinho
João Vitor Moitinho é fundador do Relator Digital. Engenheiro de computação, trabalha com growth, mensuração e martech, e escreve aqui sobre o que aprende construindo relatórios para agências de performance.
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